DISSE QUE NÃO É CANDIDATO País não está preparado para um presidente negro, diz Barbosa Da Redação - 28/07/2013 - 15h21 Em entrevista publicada este domingo (28/7) pelo jornal O Globo, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa, afirmou que não será candidato a presidente e que seu nome apareceu com força nas pesquisas eleitoras por conta de “manifestações espontâneas da população”. Barbosa afirmou que “ainda há bolsões de intolerância muito fortes e não declarados no Brasil. No momento em que um candidato negro se apresente, esses bolsões se insurgirão de maneira violenta contra esse candidato”.

DISSE QUE NÃO É CANDIDATO País não está preparado para um presidente negro, diz Barbosa Da Redação - 28/07/2013 - 15h21 Em entrevista publicada este domingo (28/7) pelo jornal O Globo, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa, afirmou que não será candidato a presidente e que seu nome apareceu com força nas pesquisas eleitoras por conta de “manifestações espontâneas da população”. Barbosa afirmou que “ainda há bolsões de intolerância muito fortes e não declarados no Brasil. No momento em que um candidato negro se apresente, esses bolsões se insurgirão de maneira violenta contra esse candidato”. Leia mais: Esquerda católica vai às ruas na Jornada Mundial da Juventude Marcha das Vadias causa indignação entre os peregrinos em Copacabana Joaquim Barbosa nega que tenha desrespeitado presidente Dilma Em nota OAB-RJ "repudia mensagem provocativa publicada pela Polícia Militar" O presidente do STF ainda acusou a “Folha de S.Paulo” de expor seu filho em uma entrevista de emprego e de invadir sua privacidade ao divulgar a compra de um imóvel em Miami. “O jornal se achou no direito de expor a compra de um imóvel modesto nos Estados Unidos. Tirei dinheiro da minha conta bancária, enviei o dinheiro por meios legais, previstos na legislação, declarei a compra no Imposto de Renda.” Na entrevista, Barbosa ainda insinuou que o Itamaraty tenha práticas racistas. Ele tentou ingressar na carreira diplomática e não passou em uma entrevista. As declarações de Barbosa foram rebatidas pelo Ministério das Relações Exteriores. Em nota, o órgão negou práticas racistas. "Recorda-se, por oportuno, que o Itamaraty mantém programa de ação afirmativa a Bolsa Prêmio Vocação Para a Diplomacia, instituída com a finalidade de proporcionar maior igualdade de oportunidades de acesso à carreira de diplomata e de acentuar a diversidade nos quadros da diplomacia brasileira", afirma a nota do Itamaraty. "Lançado em 2002, o programa já concedeu 526 bolsas para 319 bolsistas afrodescendentes. Dezenove ex-bolsistas foram aprovados no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata e integrados ao Serviço Exterior Brasileiro. As bolsas concedidas têm atualmente o valor anual de R$ 25.000,00 e devem ser utilizadas na compra de materiais de estudo e no pagamento de cursos preparatórios. Esse programa tem melhorado, de forma concreta e decisiva, as possibilidades de ingresso na carreira diplomática por candidatos afrodescendentes", conclui o comunicado. Leia abaixo a entrevista de Joaquim Barbosa publicada pelo Globo. O senhor é candidato à presidente da República? Não. Sou muito realista. Nunca pensei em me envolver em política. Não tenho laços com qualquer partido político. São manifestações espontâneas da população onde quer que eu vá. Pessoas que pedem para que eu me candidate e isso tem se traduzido em percentual de alguma relevância em pesquisas. As pessoas ficaram com a impressão de que o senhor não cumprimentou a presidente. Eu não só cumprimentei como conversei longamente com a presidente. Eu estava o tempo todo com ela. O Brasil está preparado para um presidente da República negro? Não. Porque acho que ainda há bolsões de intolerância muito fortes e não declarados no Brasil. No momento em que um candidato negro se apresente, esses bolsões se insurgirão de maneira violenta contra esse candidato. Já há sinais disso na mídia. As investidas da “Folha de S.Paulo” contra mim já são um sinal. A “Folha de S.Paulo” expôs meu filho, numa entrevista de emprego. No domingo passado, houve uma violação brutal da minha privacidade. O jornal se achou no direito de expor a compra de um imóvel modesto nos Estados Unidos. Tirei dinheiro da minha conta bancária, enviei o dinheiro por meios legais, previstos na legislação, declarei a compra no Imposto de Renda. Não vejo a mesma exposição da vida privada de pessoas altamente suspeitas da prática de crime. Como pessoa pública, o senhor não está exposto a todo tipo de pergunta e dúvida dos jornalistas? Há milhares de pessoas públicas no Brasil. No entanto os jornais não saem por aí expondo a vida privada dessas pessoas públicas. Pegue os últimos dez presidentes do Supremo Tribunal Federal e compare. É um erro achar que um jornal pode tudo. Os jornais e jornalistas têm limites. São esses limites que vêm sendo ultrapassados por força desse temor de que eu eventualmente me torne candidato. Que partido representa mais o seu pensamento? Eu sou um homem seguramente de inclinação social democrata à europeia. Como ampliar o Estado para garantir direitos de quem esteve marginalizado, mas, ao mesmo tempo, controlar o controle do gasto público para manter a inflação baixa? O primeiro passo é gastar bem. Saber gastar bem. O Brasil gasta muito mal. Quem conhece a máquina pública brasileira, sabe que há inúmeros setores que podem ser racionalizados, podem ser diminuídos. O senhor disse que o Brasil está numa crise de representação política. O que quis dizer com isso? Ela se traduz nessa insatisfação generalizada que nós assistimos nesses dois meses. Falta honestidade em pessoas com responsabilidade de vir a público e dizer que as coisas não estão funcionando. Quando serão analisados os recursos dos réus do mensalão? Dia primeiro de agosto eu vou anunciar a data precisa. Eles serão presos? Estou impedido de falar. Nos últimos meses, venho sendo objeto de ataques também por parte de uma mídia subterrânea, inclusive blogs anônimos. Só faço um alerta: a Constituição brasileira proíbe o anonimato, eu teria meios de, no momento devido, através do Judiciário, identificar quem são essas pessoas e quem as financia. Eu me permito o direito de aguardar o momento oportuno para desmascarar esses bandidos. Por que o senhor tem uma relação tensa com a imprensa? O senhor chegou a falar para um jornalista que ele estava chafurdando no lixo. É um personagem menor, não vale a pena, mas quando disse isso eu tinha em mente várias coisas que acho inaceitáveis. Por que eu vou levar a sério o trabalho de um jornalista que se encontra num conflito de interesses lá no Tribunal. Todos nós somos titulares de direitos, nenhum é de direitos absolutos, inclusive os jornalistas. Afora isso tenho relações fraternas, inúmeras com jornalistas. A primeira vez que conversamos foi sobre ações afirmativas. Nem havia ainda as cotas. Hoje, o que se tem é que as cotas foram aprovadas por unanimidade pelo Supremo. O Brasil avançou? Avançou. Inclusive, entre as inúmeras decisões progressistas que o Supremo tomou essa foi a que mais me surpreendeu. Eu jamais imaginei que tivéssemos uma decisão unânime. Nos votos, vários ministros reconheceram a existência do racismo. O que foi dito naquela sessão foi um momento único na história do Brasil. Ali estava o Estado reconhecendo aquilo que muita gente no Brasil ainda se recusa a reconhecer, e a ver o racismo nos diversos aspectos da vida brasileira. Os negros são uma força emergente. Antes, faziam sucesso só nas artes e no futebol, mas, agora, eles estão se preparando para chegar nos postos de comando e sucesso em todas as áreas. Como a sociedade brasileira vai reagir? Ainda não vejo essa ascensão dos negros como algo muito significativo. Há muito caminho pela frente. Ainda há setores em que os negros são completamente excluídos. Como o Brasil supera isso? Discutindo abertamente o problema. Não vejo nos meios de comunicação brasileiros uma discussão consistente e regular sobre essas questões. Como superar a desigualdade racial, mantendo o que de melhor temos? O que de melhor nós temos é a convivência amistosa superficial, mas, no momento em que o negro aspira a uma posição de comando, a intolerância aparece. Como o senhor sentiu no carnaval tantas pessoas com a máscara do seu rosto? Foi simpático, mas, nas estruturas sociais brasileiras, isso não traz mudanças. Reforça certos clichês. Reforça? Por quê? Carnaval, samba, futebol. Os brasileiros se sentem confortáveis em associar os negros a essas atividades, mas há uma parcela, espero que pequena da sociedade, que não se sente confortável com um negro em outras posições. O senhor foi discriminado no Itamaraty? Discriminado eu sempre fui em todos os trabalhos, do momento em que comecei a galgar escalões. Nunca dei bola. Aprendi a conviver com isso e superar. O Itamaraty é uma das instituições mais discriminatórias do Brasil. O senhor não passou no concurso? Passei nas provas escritas, fui eliminado numa entrevista, algo que existia para eliminar indesejados. Sim, fui discriminado, mas me prestaram um favor. Todos os diplomatas gostariam de estar na posição que eu estou. Todos. fonte ultimainsatncia

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